segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Vai Saber?

(Adriana Calcanhotto)

Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de mudar
E pode aparecer onde ninguém ousaria supor
Só porque disse que de mim não pode gostar
Não quer dizer que não tenha do que duvidar
Pensando bem, pode mesmo
Chegar a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais
Vai saber?

Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de se dar
E pode aparecer onde ninguém ousaria se pôr
Só porque disse que de mim não pode gostar
Não quer dizer que não tenha o que considerar
Pensando bem, pode mesmo
Chegar a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais
Vai saber?
Vai saber?
Vai saber?

Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de jogar
E pode aparecer onde ninguém ousaria supor
Só porque disse que de mim não pode gostar
Não quer dizer que não venha a reconsiderar
Pensando bem, pode mesmo
Chegar a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Pimenteira


"Há muito tempo não ouço um disco inteiro com tanto entusiasmo no coração quanto esse 'Pimenteira'. Acho que ouvi Pedro Miranda pela primeira vez numa faixa do CD de Teresa Cristina – e fiquei maravilhado com a musicalidade, a cultura entranhada, a naturalidade, o frescor. Comuniquei meu entusiasmo a Moreno e ele me disse que conhecia Pedro: logo eu estava com o primeiro CD de Pedro nas mãos. O CD confirmava a muito boa impressão causada pela faixa no disco de Teresa. De modo que, agora, quando ele me entregou uma cópia do seu novo disco, eu já me pus em alta expectativa. Mas não imaginava que estivesse diante de um trabalho de tamanho fôlego. Considero este um disco de grande artista. É um disco fácil de ouvir, maneiro, agradável, porém tem força histórica intensa e convida a reflexões complexas e tão profundas que nem a deliciosa paródia de texto acadêmico que vem no encarte (a respeito da alegoria deliberadamente ingênua de Edu Krieger, "Coluna Social"), poderia satirizar.

Para começar, o estilo despojado do cantor, sem afetação, sem tiques nenhuns, dá conta de toda a possível cultura crítica atual relativa ao canto popular brasileiro. Voz maleável, incrivelmente confortável nas regiões agudas, ele mostra destreza e agilidade sem que se perceba esforço de sua parte. E o fraseado revela reverência e familiaridade com a história do samba. Mas é a escolha do repertório que ilumina as virtudes do seu estilo. Esse repertório (para cuja feitura ele agradece a colaboração de Cristina Buarque e Paulão 7 Cordas) diz tudo sobre o que deve ser dito a respeito do que vem acontecendo com o samba, desde que este se tornou emblema da musicalidade brasileira ("O mito é o nada que é tudo"), passando pelo furacão camuflado que foi a bossa nova, e pela sua recolocação no ambiente que o forjou: a boemia que transita entre certos morros e certas áreas do asfalto carioca. Essa recolocação teve como marco inicial a virada que significou, no meio dos anos 1960, coincidirem as insatisfações de Nara Leão com o surgimento do Zicartola, o início das atividades de compositor de Chico Buarque em São Paulo e o estrelato conjunto de Paulinho da Viola e Clementina de Jesus no Rosa de Ouro. Todos os desdobramentos – de Beth Carvalho ao Art Popular, de Zeca Pagodinho ao Psirico, de Arlindo Cruz a Roberta Sá – estão homenageados nesse álbum coeso, sincero e de grande visão.

O arco de compositores vai de Nelson Cavaquinho a Rubinho Jacobina – e, no entanto, a unidade de visão faz de 'Pimenteira' uma obra autoral de Pedro Miranda. As melodias, em geral com sabor de choro a caminho da gafieira (mas sem deixar de fora nem a chula baiana nem o coco nordestino), sustentam um virtuosismo poético que, por força da perspectiva da escolha do material (e da ordem em que ele vem), sugere um gosto pessoal, a um tempo apurado, exigente e espontâneo, que atravessa todo o disco. Dos versos elegantes de Paulo César Pinheiro para a música rica de Mauricio Carrilho (com ecos de Bororó) ao fascinante jogo embaralhado de imagens atuais no samba de Moyseis Marques, passando pela "Imagem", de Trambique e Wilson das Neves, e pelo show de bola de Elton Medeiros e Afonso Machado, tudo em 'Pimenteira' transpira grande talento guiado por grande inteligência. O disco fala de tudo o que fala como Nei Lopes fala (na única nota de encarte que não foi escrita por Pedro e Luís Filipe) da série de mulatos que compõem a figura de Compadre Bento: com admiração e intimidade.

Terminei citando muitos dos sambas do disco, mas não é por os achar menos interessantes que não citei alguns: todos são de alta extração, todos fazem o CD soar como uma coleção de obras-primas. O que faz com que esse disco ao mesmo tempo pareça o lançamento de um novo autor e uma antologia de clássicos. Na verdade é o disco que já nasce antológico. A colaboração de Luís Filipe de Lima é decisiva na definição dos arranjos e da sonoridade. Sobre ele (e os demais colaboradores musicais e técnicos) Pedro fala melhor do que eu poderia, nas palavras de agradecimento que escreveu. Quanto a mim, sou mais levado a considerar que a oportunidade foi uma dádiva que Pedro lhes fez.

Eu sempre sou citado como elogiador fácil de moças jovens bonitas que cantam samba. Nunca as elogiei sem que achasse justo fazê-lo. Dizer aqui que o CD de um marmanjo, que nem tipo gatinho é, é algo muito mais importante do que o que essas ninfas têm, em conjunto, alcançado deve dar uma ideia do quanto considero 'Pimenteira' um evento especial em nossa música. E, de quebra, pode dar mais credibilidade aos elogios que faço às moças
" (Caetano Veloso)
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Eu, Cá, ouço e cada vez mais gosto dessa obra do Pedro Miranda. Acho que por ser uma produção independente, só tem CD pra vender aqui no Rio, por enquanto, mas faço o trabalho da logísitica via Correios a quem interessar. Não sei se poderia publicar o texto do Caetano assim, mas dedico isso a Amália e Olívia - filhas gêmeas do Pedrinho, tão adorável!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Gostei tanto que achei uma boa divulgar mais!

Há Cantores No Brasil... - Por M.M.

Não, senhores críticos , não digam que não há cantores no país das cantoras! Seria injustiça com o Sr. Renato Braz, dentre os melhores paulistas que já vi cantar. Ah, se o Seu Jorge escolhesse melhor o repertório...que vozeirão !
E quem há de dizer que não há um grande material vocal em Alfredo del-Penho, meu camaradinha das antigas, geniozinho da música? Ou na reverência irreverente de Marcos Sacramento, melhor com menos instrumentos, para que sua voz ecoe mais num "Canto de quero mais ".
Na herança deixada por João na voz do filho Diogo, ou na do outro João, o Cavalcanti.
Como assim não há cantores ? Talvez não exalem o charme de uma Roberta Sá ou o sexy appeal de uma Maria Rita, mas há o sentimento de um Marcelo Mimoso, o Frank Sinatra do forró.
E quem há de dizer que Zé Renato também não pertence `a nova geração? Não a novíssima, como o Mackley Mattos, ou até mesmo no médio de um "Bico Doce ", mas há a sofisticacão de um Pedro Moraes, a afinação de um Pedro Holanda e a descontração de um Pedro Miranda. Na cidade dos Pedros, o que não falta é voz, e das boas, trabalhadas, com muito material...deve faltar material é pras críticas por isso inventaram essa coisa de que não há vozes masculinas relevantes no mercado...ou talvez falte é mercado.
Isso porque meu amigo Duani está lá escondidinho em Sampa. Será que todos temos que ser morenos de olhos verdes ou azuis?...quem sabe não é isso que está faltando ?
Porque voz não falta em Gabriel Cavalcanti, nem no Miguel dos Anjos, de BH. Fora os que eu estou me esquecendo agora, inclusive de dizer que também faço a minha parte.
Acho que está faltando é boa vontade...
---x---

Concordo com cada vírgula e ainda digo mais: 6ª tem uma voz ótima no Clube dos Democráticos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

E pode queimar

Menina, menino,
Não deixe de amar
O amor é o que há
Começa quentinho
E pode queimar
O amor amplifica
O amor simplifica

Gerador
Do motor
De revolucionar
O amor
Sempre estará
Louco para amar

Menina, menino,
Não deixe de amar
O amor é o que há
Começa quentinho
E pode queimar
O amor modifica
O amor a modo de ficar
(Menina, Menino - Adriana Partimpim)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Recebi por e-mail e achei inevitável publicar.
Como diria o Fe Fonseca: “por Darwin”!